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Item Dependência, instituições e variedades de capitalismo: uma análise dos constrangimentos político-institucionais para o desenvolvimento da América Latina(2022) Guimarães, Alexandre Queiroz; Gambi, Thiago Fontelas RosadoO artigo constrói um diálogo entre teorias do desenvolvimento econômico e da economia política com o intuito de enfatizar as regularidades e os desafios político-institucionais para o desenvolvimento da América Latina. Para isso, recupera inicialmente contribuições da teoria da dependência e da CEPAL.Segundo, explora o referencial variedades de capitalismo e sua aplicação para a América Latina, indicando seu potencial para o entendimento das rigidezes institucionais que prejudicam o processo de desenvolvimento. Terceiro, explora fatores políticos, institucionais e internacionais que marcaram a trajetória de industrialização e que conduziram a uma forte crise econômica e a um acrítico processo de adoção de reformas neoliberais. Finalmente, o artigo explora regularidades e deficiências que vêm marcando o desempenho econômico recente. Em síntese, seu principal intuito é a construção de uma interpretação analítica que contribua para entender as dificuldades para a adoção das políticas e das reformas necessárias à promoção do desenvolvimento.Item Economia, instituições e estado de bem-estar social: respostas à nova configuração do capitalismo pós-1970(2015) Guimarães, Alexandre QueirozAs décadas de 1950 e 1960 foram marcadas por grande prosperidade econômica e expansão dos Estados de Bem-Estar Social. Entretanto, dificuldades e mudanças marcaram os anos 1970. O artigo explora as respostas adotadas pelos países desenvolvidos às novas configurações do capitalismo, mostrando como foram influenciadas pelas instituições nacionais e pelo regime de Estados de Bem-Estar Social. Argumenta-se que os novos constrangimentos não conduziram à convergência nas estratégias e tampouco inviabilizaram este tipo de Estados. Dá-se especial atenção ao modelo escandinavo e à sua capacidade de conciliar bom desempenho e igualdade, enfatizando o papel das práticas corporativistas e da grande capacidade institucional. Em suma, o artigo discute pontos centrais no estudo da economia política ao lidar com um aspecto essencial para a legitimidade do capitalismo e ao explorar o impacto das instituições e mostrar que o capitalismo continua diverso.Item The political economy of Brazilian industrial policy (2003 - 2014): main vectors, shortcomings and directions to improve effectiveness(2021) Guimarães, Alexandre QueirozEste artigo é um estudo sobre a política industrial e seu papel no desenvolvimento, investigando como tal política foi adotada recentemente no Brasil. Após uma década de neoliberalismo, a política industrial voltou à pauta, aumentando o interesse pela análise deste tema. Inicialmente, o artigo explora questões gerais relacionadas às necessidades da política industrial e aos fatores e procedimentos necessários para uma implementação bem-sucedida. Uma série de práticas bem sucedidas foram realçadas a fim de guiar a interpretação da experiência brasileira. Apesar de sua priorização e de avanços pontuais, a política industrial no Brasil não produziu resultados mais consistentes. As principais razões incluem: a falta de uma estrutura de coordenação adequada; a incapacidade de se concentrar em metas claras de produtividade e competitividade; o número excessivo de setores contemplados; a falta de uma avaliação consistente; e a incapacidade de alcançar uma negociação abrangente com os representantes da indústria. Esses problemas diminuíram as chances de que as graves deficiências inerentes à indústria brasileira fossem sanadas.Item Instituições e desenvolvimento no Japão: modelo de capitalismo, trajetória pós 1990, desafios atuais(2016) Guimarães, Alexandre Queiroz; Oliveira, André Mourthé de; Camargo, Rafael Teixeira Dias; Oliveira Neto, PaulinoO objeto principal do artigo é a mudança de trajetória do capitalismo japonês, procurando entender por que um modelo tão bem-sucedido nas décadas de 1950 a 1980 passou a enfrentar sérias dificuldades a partir dos anos 1990. Para isso, trabalha a interação entre fatores institucionais, econômicos e políticos, dando atenção especial às instituições típicas do capitalismo japonês, incluindo as relações de trabalho, a governança corporativa, a organização do sistema financeiro e o papel do Estado. Procura-se destacar o papel que essas instituições tiveram na fase de prosperidade e também as pressões que passaram a sofrem a partir das mudanças domésticas e internacionais. Um aspecto central é interpretar até que ponto o modelo japonês continua distintivo, preservando as características de um “modelo de capitalismo coordenado”. O artigo adota um enfoque de economia política centrado nas teorias do institucionalismo histórico e das variedades de capitalismo. Essas teorias, ao mostrar como as instituições nacionais condicionam o padrão de resposta, fornecem um invólucro para interpretar as mudanças, ampliando a compreensão das interações entre economia, política e instituições. A partir do referencial mais geral, o artigo incorpora também teorias mais específicas voltadas a interpretar a crise econômica e alguns desafios enfrentados pela economia japonesa. O artigo mostra que o Japão vem passando por muitas mudanças institucionais, mas vem também preservando aspectos distintivos do modelo tradicional japonês, com a constituição de um modelo híbrido. Além dos problemas macroeconômicos, ligados à insuficiência de demanda efetiva, ao envelhecimento da população e aos desafios fiscais, há também muitos desafios sociais e políticos, que incluem a forte dualidade no mercado de trabalho e as dificuldades enfrentadas por jovens e mulheres. Em face de todas essas questões, o sistema político vem falhando em oferecer um pacote alternativo de reformas. Em síntese, ao explorar e combinar diversas dimensões, o artigo contribui para compreender muitos dos desafios enfrentados pela economia e pela sociedade japonesa.Item Estado, instituições e desenvolvimento: o modelo coreano e a interpretação da crise asiática(2009) Guimarães, Alexandre QueirozO presente artigo insere-se em uma linha voltada a investigar as relações entre as instituições, o Estado e o desempenho econômico. Tem como objeto central o estudo dos Estados Desenvolvimentistas (Developmental States), isto é, estados intervencionistas que desempenharam papel central nas estratégias de desenvolvimento de alguns países. A despeito de inúmeras análises históricas sobre essas experiências, o tema é considerado controverso e muitos economistas relutam em aceitar que tais estados tiveram uma contribuição positiva. O artigo lida, portanto, com um tema muito caro à ciência econômica desde os seus primórdios, a relação entre o Estado e o mercado e seus impactos sobre a "riqueza das nações". O presente artigo pretende contribuir para essa temática por meio de uma crítica às análises mais abstratas voltadas a interpretar o modelo asiático e a crise de 1997. Identificando uma falha metodológica nessas análises, argumenta-se que a crise não pode ser deduzida de eventuais fraquezas institucionais do modelo sul coreano. As características institucionais, incluindo o Estado desenvolvimentista e os grandes grupos empresariais, foram variáveis centrais para explicar o grande êxito alcançado pela Coréia do Sul nas décadas que se seguiram a 1960. Nesse sentido, as dificuldades dos anos 1990 devem ser interpretadas como resultado de um processo apressado de liberalização e desregulamentação econômica, implementado antes que uma nova estrutura de regulação estivesse pronta para substituir as formas de coordenação vigentes no período anterior. Ao recusar certas interpretações da crise, o artigo enfatiza a importância de reconhecer as especificidades institucionais dos países e a existência de diferentes tipos de capitalismo. O caso sul coreano, assim como o japonês, ilustra um modelo de capitalismo em que o Developmental State desempenhou um papel muito ativo, constituindo-se em uma variável fundamental para explicar o grande sucesso obtido pela estratégia de desenvolvimento nesses países.Item O capitalismo coordenado alemão: do boom do pós-guerra à Agenda 2010(2006) Guimarães, Alexandre QueirozNo pós-guerra constituiu-se na Alemanha um modelo de capitalismo coordenado, em que os sindicatos e as associações empresariais assumiram papel central. Constituíram-se várias formas de regulação via networks, presentes nas relações internas às firmas, nas formas de colaboração entre as empresas e na interação mais próxima entre bancos e empresas. Os bons resultados em termos de competitividade foram combinados com excelentes indicadores sociais. Entretanto, as transformações recentes, relacionadas à maior internacionalização produtiva e financeira, têm colocado em xeque o capitalismo socialmente coordenado. Em face aos desafios econômicos, a Alemanha vem reagindo, procurando reformas que tornem o modelo mais flexível. Mas aspectos centrais do modelo têm se conservado, com destaque para as relações de trabalho e os mecanismos de cidadania social.Item Licenciamento ambiental: as novas propostas para a sua (des)regulamentação em tramitação no Congresso Nacional(2021) Silva, Thaysa Sonale Almeida; Carneiro, Ricardo; Brasil, Flávia de Paula DuqueO presente trabalho propõe-se a examinar as principais propostas de mudanças no arcabouço institucional do licenciamento ambiental brasileiro em tramitação no Congresso Nacional durante a legislatura encerrada em 2018, à luz da noção de regulação estatal. A partir de uma abordagem analítico-descritiva apoiada em levantamentos bibliográficos e documentais, verificou-se que as mudanças institucionais propostas são informadas por uma percepção do licenciamento ambiental como um processo excessivamente burocratizado que constitui um óbice ao desenvolvimento e voltam-se na direção de sua simplificação, tendo em vista conferir maior celeridade à concessão de licenças. Ao final, conclui-se que as novas regras trazem, em seu bojo, o estreitamento das possibilidades de participação da sociedade no processo, bem como de órgãos intervenientes, e a aceleração do trâmite procedimental para a emissão de licenças, afetando o potencial de o instrumento cumprir efetivamente os propósitos delineados na política ambiental de prevenir e mitigar os impactos das atividades socioeconômicas sobre o meio ambiente.Item Revista Fundação JP: dilemas do desenvolvimento e do planejamento na década de 1970 em Minas Gerais(UEPG, 2023) Lacerda, Gabriel do CarmoO presente texto se insere na literatura que tem retomado as experiências e institucionalidades acerca do planejamento urbano-regional durante a ditadura civil-militar brasileira. Aqui é estudada a Revista Fundação JP, editada pela Fundação João Pinheiro (FJP) – instituição criada em 1969 para produção de estudos e estatísticas que auxiliassem o desenvolvimento mineiro – durante a década de 1970, quando a temática se organizou e consolidou no aparelho estatal mineiro. O estudo das publicações acerca da temática do planejamento e do desenvolvimento na Revista Fundação JP é ilustrativo, pois demonstra as mudanças de enfoques dado o contexto mineiro e nacional, a pluralidade de referenciais teórico-metodológicos e os debates acerca dos caminhos tomados. Assim, seu estudo auxilia na compreensão dos processos de consolidação institucional das questões do planejamento e da ação estatal no âmbito das políticas urbanas e regionais.Item A economia política do modelo econômico chinês: o estado, o mercado e os principais desafios(2012) Guimarães, Alexandre QueirozO artigo explora algumas características do modelo chinês a partir de sua particularidade institucional, a relação entre o Estado e o mercado. Pretende-se esclarecer as razões dos bons resultados econômicos, destacar o papel essencial da variável internacional e apontar os principais desafios enfrentados pelo modelo chinês. Uma preocupação central é destacar as implicações, realizações e riscos de uma combinação muito particular entre o mercado e o Estado, tocando em um tema caro à Economia Política desde Adam Smith. Para esse intuito, o artigo dialoga com teorias da Economia Política e do desenvolvimento econômico, com destaque para o debate sobre os estados desenvolvimentistas. Argumenta-se que o sucesso do milagre chinês está relacionado à liberalização das forças de mercado, mas deve-se também ao papel do Estado Desenvolvimentista, que desempenhou um papel importante na transição para a economia de mercado e vem contribuindo significativamente para o fortalecimento da capacidade produtiva e tecnológica. Entretanto, a falta de demarcação entre o Estado e o mercado também implica dificuldades, que se manifestam na intervenção excessiva do partido e nas deficiências do sistema financeiro e do sistema de direitos de propriedade. De um lado, a economia beneficia-se da força do Estado e das medidas adotadas para fortalecer sua posição internacional. De outro, há tensões entre uma economia mais complexa e uma estrutura institucional muito específica. Outro ponto explorado são os esforços adotados para fortalecer a capacidade industrial e tecnológica, perguntando-se sobre a efetividade da política industrial no estágio atual do capitalismo. Enfim, o artigo trabalha outros desafios do modelo chinês, inclusive na área social, apontando como vêm sendo enfrentados.Item The political economy of the Workers’ Party governments in Brazil (2003-2014) - institutions, ideas and the main determinants of economic policy(2022) Guimarães, Alexandre QueirozO artigo procura entender os principais determinantes da trajetória política-econômica seguida pelos governos do Partido dos Trabalhadores no Brasil. O período foi caracterizado por avanços significativos nas condições sociais, mas os governos falharam em avançar reformas sociais estratégicas, em reduzir as altas taxas de juros e em adotar uma política industrial coerente. As políticas adotadas conduziram, ao final do período, a uma profunda crise econômica, um componente central do impasse político subsequente. O artigo adota uma abordagem centrada no institucionalismo histórico, estabelecendo um diálogo com teorias que enfatizam o papel dos constrangimentos internacionais, a institucionalização do sistema partidário e a influência das ideias e dos grupos de interesse. A principal contribuição é oferecer uma interpretação que, integrando fatores econômicos, políticos e institucionais, contribui para o entendimento das principais decisões de política econômica.