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Item Desenvolvimento populacional e socioeconômico nos municípios com potencial de exploração do lítio no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais(Universidade do Contestado, 2025) Gonçalves, Caio César Soares; Marinho, Vitor da Silva; Soares, Helena Teixeira MagalhãesO artigo explora o desenvolvimento socioeconômico nos municípios do Vale do Jequitinhonha com potencial para exploração de lítio, mineral estratégico para a transição energética global. O estudo descritivo examina os aspectos econômicos, demográficos, sociais, ambientais e institucionais dos 14 municípios integrantes do projeto "Vale do Lítio". Os resultados evidenciaram contrastes significativos: enquanto Teófilo Otoni apresenta maior dinamismo econômico, municípios como Rubelita e Itinga enfrentam altos índices de vulnerabilidade social, deficiências em serviços básicos e envelhecimento populacional acelerado. A análise de experiências internacionais, especialmente do "triângulo do lítio", revelou a importância de modelos de governança participativa e políticas públicas integradas. O estudo propõe diretrizes estruturadas em três eixos: desenvolvimento econômico diversificado, promoção do bem-estar social e gestão ambiental sustentável. Ressalta-se que o sucesso da exploração do lítio como vetor de desenvolvimento regional depende de uma abordagem equilibrada que concilie benefícios econômicos, sustentabilidade ambiental e inclusão social das comunidades locais.Item Do ouro e das pedras coradas ao lítio : mineração, extrativismo e a reprodução da minero-dependência na Região Geográfica Imediata de Araçuaí – Vale do Jequitinhonha (MG)(Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri, 2025) Nunes, Marcos Antônio; Pfeffer, Renato Somberg; Ferreira, Rodrigo Nunes; Stefani, JoãoEste artigo explora a trajetória histórica do Vale do Jequitinhonha, desde a colonização no século XVIII, impulsionada pela mineração de ouro e diamantes, até as dinâmicas socioeconômicas atuais. Utilizando uma metodologia histórico-analítica e pesquisa documental, o estudo investiga como o subsequente declínio da mineração gerou migrações e uma transição para atividades agropecuárias, moldando uma nova identidade regional marcada por conflitos sociais e territoriais. Nesse contexto, o artigo destaca a importância de Araçuaí como centro comercial histórico e, hoje, como um incipiente polo da agenda global de transição energética, em virtude da exploração de lítio. A exploração de lítio na Região Geográfica Imediata de Araçuaí oferece um potencial de desenvolvimento regional, mas a pesquisa demonstra que essa nova fase extrativista exige uma governança articulada para mitigar a histórica dependência mineral e os riscos socioambientais. Argumenta-se que é fundamental contestar a narrativa simplista do "lítio verde" e implementar, concomitantemente, políticas de diversificação econômica que não se restrinjam apenas à commodity. O sucesso na transformação desse ciclo requer um robusto investimento em infraestrutura regional integrada e, principalmente, a criação de um Fundo de Soberania Mineral para assegurar a poupança e o benefício intergeracional dos recursos não renováveis.Item O lítio na governança do clima : geopolítica empresarial, desregulação e efeitos derrame(Fundação João Pinheiro, 2025) Teixeira, Raquel Oliveira Santos; Zucarelli, Marcos Cristiano; Gonçalves, Natália Castilho; Rumin, Priscilla RamosO artigo analisa os vínculos entre a exploração do lítio no Vale do Jequitinhonha e a transição energética, examinando como tais processos inscrevem-se na lógica da modernização ecológica e do chamado “consenso da descarbonização”. A partir da metodologia qualitativa de análise de documentos, trabalho de campo e etnografia de audiências e reuniões, observa-se a conformação de uma geopolítica empresarial, consolidada na narrativa celebratória do “Vale do Lítio” e na promessa de prosperidade ancorada em soluções de mercado para a crise do clima. Ao retomar a trajetória histórica do desenvolvimento sustentável como narrativa legitimadora, o texto mostra que o modelo atual de transição energética não rompe com o padrão do neoextrativismo, mas, sim, o atualiza. Reformas legais, flexibilizações regulatórias e coalizões parlamentares convergem para acelerar licenciamentos, reduzir incertezas mercantis e alinhar os ritmos da política ao capital. Com base na perspectiva teórica da ecologia política e da justiça ambiental, mostra-se como os chamados “efeitos derrame” transcendem os impactos físicos e socioeconômicos, atingindo marcos regulatórios, práticas democráticas e direitos territoriais. Conclui-se que, sob a retórica da “mineração em benefício do clima”, a transição energética reproduz desigualdades ambientais e naturaliza a formação de novas zonas de sacrifício.