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Item Investigação e mídia: um estudo de caso "O Maníaco de Contagem"(2010) Pontes, Maria Natalina; Flecha, Marília Mariano de LimaA temática policial abarca em si uma heterogeneidade de sentimentos que vão da simples curiosidade, horror, arrependimentos, repúdio, vingança, arrebatamento até aflorar na sociedade o desejo de fazer justiça com as próprias mãos. Histórias e relacionamentos se entrelaçam e propiciam farto material para a investigação criminal. Sob a ótica do jornalismo investigativo, esses sentimentos e impressões são reproduzidos em linhas, títulos e adjetivos de primeira página e dão ao leitor uma pequena parcela da realidade vivenciada por familiares de vítimas, suspeitos e por policiais que tem a apuração de crimes de homicídio como rotina diária. Esta pesquisa tem como estudo a atuação do jornalismo investigativo e o crescimento do fenômeno do jornalismo sobre investigações. A monografia tem por objetivo geral entender a lógica de apuração da cobertura jornalística sobre o caso dos crimes cometidos por Marcos Antunes Trigueiro, apelidado como o “Maníaco de Contagem”, autor confesso de cinco estupros seguidos de morte entre janeiro e novembro de 2009. Trata-se de pesquisa bibliográfica e documental, de natureza qualitativa. A pesquisa documental apóia-se na análise de conteúdo das matérias publicadas em três jornais mineiros sobre os crimes cometidos por Marcos Trigueiro, a saber: Estado de Minas, Hoje em Dia e O Tempo, dada a importância que têm no cenário mineiro. Foram também realizadas entrevistas com os delegados responsáveis pelo inquérito do caso. Os dados obtidos sugerem que as matérias sobre o caso – escolhidas propositalmente em três períodos distintos – sugerem que foram veiculadas sem um processo de investigação por parte dos jornalistas.Item "Visando repelir injusta agressão": uma sociologia dos accounts policiais e das investigações dos casos de letalidade policial em Minas Gerais(UFRGS, 2023) Nascimento, Luís Felipe Zilli do; Figueiredo, Amanda Matar de; Cruz, Marcus Vinícius Gonçalves da; Marinho, Karina Rabelo LeiteEntre 2012 e 2021, 1.146 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais em Minas Gerais. Em quase todos esses casos, a narrativa oficial dos boletins de ocorrência foi de que essas mortes se deram em situações de “confronto”, nas quais os policiais, atuado no “estrito cumprimento do dever legal”, usaram “moderadamente dos meios de força necessários” para “repelir injusta agressão”. Já há no Brasil farta literatura demonstrando que a mobilização dessa gramática, já nos registros iniciais, é a primeira etapa de uma cadeia de procedimentos que, ao final, quase sempre resultará na aplicação jurídica da “excludente de ilicitude” à letalidade policial. Dialogando com essa produção, este artigo apresenta os principais resultados de um estudo de caso sobre o processamento investigativo da letalidade policial militar em Minas Gerais. A partir de abordagem etnometodológica, buscou-se compreender como um complexo sistema de representações, discursos e cognições compartilhadas entre policiais sustenta a construção de accounts sobre os casos de letalidade, dando a eles a forma jurídica da “legítima defesa”. Em termos metodológicos, o estudo se vale da análise de 3.605 B.O. sobre mortes e ferimentos decorrentes de intervenções policiais registradas no estado entre 2013 e 2018, bem como de 25 entrevistas com atores-chave das forças policiais e do Ministério Público. A pesquisa revela que, no campo discursivo, a Polícia Militar de Minas Gerais tem adotado estratégias institucionais para padronizar as narrativas inseridas nos registros de letalidade (boletins de ocorrência e inquéritos policiais militares), já acionando, nesses documentos, a gramática necessária à fundamentação da excludente de ilicitude na etapa judicial. Em termos procedimentais, a corporação tem não apenas assumido a investigação de seus próprios casos letalidade, mas também interditado tentativas de apurações externas feitas pela Polícia Civil. Já na esfera política/institucional, a Polícia Militar tem sistematicamente ignorado determinações do Ministério Público, esgarçando possibilidades de controle externo de sua atividade.