Juventudes, trabalho e educação profissional : impactos distributivos da formação técnica de nível médio
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2025
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Resumo
Este estudo, inserido no debate sobre equidade educacional e mobilidade social, tem como objeto a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) de nível médio no Brasil e suas associações com transições educacionais e resultados no mercado de trabalho. O problema de pesquisa consiste em verificar em que medida a EPT opera como ponte para mobilidade educacional e ocupacional — ou, alternativamente, como mecanismo de reprodução seletiva de desigualdades de classe, raça, gênero e território. O objetivo geral é analisar a relação entre a experiência em EPT e (i) acesso, permanência e conclusão do ensino médio, (ii) prosseguimento ao ensino superior e (iii) inserção ocupacional e rendimentos, examinando como essas associações variam por atributos socioeconômicos e territoriais. Parte-se da hipótese de que a EPT produz mobilidade seletiva: efeitos médios positivos frente ao ensino médio regular, porém distribuídos de forma desigual entre grupos sociais. Utilizam-se microdados da PNAD Contínua (2022–2024), com ponderação pelo desenho amostral, combinando estatísticas descritivas e modelos de transições educacionais (Mare) e regressões (logísticas e lineares) para comparar trajetórias associadas ao ensino médio técnico, ao ensino médio regular e ao ensino superior. Os resultados indicam que a EPT se associa a maiores probabilidades de conclusão da educação básica, maior inserção em ocupações formais e qualificadas e prêmios salariais positivos em relação ao ensino médio regular; contudo, esses ganhos são moderados e heterogêneos, com evidências de condicionamento pela posição social de origem e de variações relevantes por raça/cor, gênero e território. Adicionalmente, observa-se um trade-off em parte das trajetórias: em certos perfis, a EPT não se converte em maior prosseguimento ao ensino superior, sugerindo que a formação técnica pode funcionar, em segmentos específicos, como ponto de chegada. Conclui-se que a EPT possui potencial de mobilidade, mas com efeitos distributivos limitados; assim, sua expansão, se não acompanhada de políticas redistributivas e de redução da seletividade de acesso e dos diferenciais de trajetória, tende a reforçar padrões de desigualdade previamente estabelecidos.
Abstract
This study, situated in the debate on educational equity and social mobility, examines upper-secondary Technical and Vocational Education and Training (TVET) in Brazil and its associations with educational transitions and labor-market outcomes. The research problem is to assess to what extent TVET operates as a pathway to educational and occupational mobility—or, alternatively, as a mechanism that selectively reproduces inequalities by class, race, gender, and territory. The general objective is to analyze how TVET is associated with (i) access, persistence, and completion of upper-secondary education, (ii) transition to higher education, and (iii) occupational insertion and earnings, and how these associations vary across socioeconomic and territorial profiles. The study advances the hypothesis of selective mobility: positive average effects relative to general upper-secondary education, yet unevenly distributed across social groups. Using microdata from the Continuous National Household Sample Survey (PNADC, 2022–2024) and survey-weighted analyses, the paper combines descriptive statistics with educational transition models (Mare) and regression models (logistic and linear) to compare trajectories linked to upper-secondary TVET, general upper-secondary education, and higher education. Findings indicate that TVET is associated with higher completion probabilities, improved access to formal and more qualified occupations, and positive wage premiums relative to general upper-secondary education; however, these gains are modest and heterogeneous, strongly conditioned by social origin and varying by race, gender, and territory. In addition, the results suggest a trade-off in part of the trajectories: for some profiles, TVET does not translate into higher transition rates to higher education, indicating that technical credentials may function as an endpoint for specific groups. The study concludes that TVET has mobility potential but limited distributive effects; therefore, expanding TVET without redistributive policies and without reducing selectivity in access and trajectories is likely to reinforce existing inequalities.
Palavras-chave
Citação
MENDES, P. K. S. Juventudes, trabalho e educação profissional: impactos distributivos da formação técnica de nível médio. 215 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Administração Pública) – Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, Fundação João Pinheiro, 2025.
Notas
Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Administração Pública) – Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, Fundação João Pinheiro, 2025.