Mas afinal, o que é o urbanismo com perspectiva de gênero?

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2025
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Fundação João Pinheiro
Resumo
Este artigo discute o conceito de urbanismo com perspectiva de gênero utilizando o método de revisão bibliográfica e análise de dados secundários. O estudo busca compreender como a aparente neutralidade técnica no planejamento urbano opera como um dispositivo de reprodução de desigualdades. Além disso, também argumenta que os espaços urbanos não são neutros, mas construções sociais atravessadas por relações de poder que historicamente privilegiaram experiências masculinas, brancas e heteronormativas como padrão universal. Nesse sentido, a ausência de uma abordagem interseccional, que integre gênero, raça, classe, sexualidade, deficiência e idade, contribui para a exclusão de grupos marginalizados do usufruto pleno da cidade. A pesquisa evidencia que as práticas urbanísticas tradicionais invisibilizam a esfera reprodutiva e os cuidados cotidianos, perpetuando hierarquias simbólicas e materiais que afetam diretamente a mobilidade, a segurança e a autonomia das mulheres e de outros sujeitos dissidentes. Ao problematizar esses limites, o artigo reforça a necessidade de incorporar a perspectiva de gênero como fundamento estruturante no planejamento urbano, reposicionando a vida cotidiana no centro das decisões. Conclui-se, então, que cidades mais justas, democráticas e acolhedoras dependem da superação do sujeito universal e da valorização da diversidade de experiências como princípio de produção do espaço.

Abstract
This article discusses the concept of urbanism with a gender perspective using the method of literature review and analysis of secondary data. The study seeks to understand how the apparent technical neutrality in urban planning operates as a reproduction device of inequalities. In addition, it also argues that urban spaces are not neutral, but social constructions crossed by power relations that historically privileged male experiences, white and heteronormative as a universal standard. In this sense, the absence of an intersectional approach that integrates gender, race, class, sexuality, disability and age contributes to the exclusion of marginalized groups from full enjoyment of the city. The research shows that traditional urban practices invisibilize the reproductive sphere and daily care, perpetuating symbolic hierarchies and materials that directly affect the mobility, security and autonomy of women and other dissident subjects. By problematizing these limits, the article reinforces the need to incorporate the gender perspective as a structuring foundation in urban planning, repositioning everyday life at the center of decisions. It is concluded, then, that more just, democratic and welcoming cities depend on overcoming the universal subject and valuing diversity of experiences as a principle of production of space.

Palavras-chave
Citação
PASSOS, R. L. G. Mas afinal, o que é o urbanismo com perspectiva de gênero?. Campo de Públicas: Conexões e Experiências, v. 4, n. 2, 2025.
Contido em
CAMPO DE PÚBLICAS: conexões e experiências. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, v. 4, n.2, jul./dez. 2025. 298 p. ISSN 2764-6009.
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