"O que a memória ama fica eterno": repertórios, disputas e construção do Memorial Brumadinho como espaço de memória e reparação simbólica
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2025
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Resumo
O rompimento da barragem da Vale S.A., em 25 de janeiro de 2019, em Brumadinho, Minas Gerais, resultou em 272 mortes e desencadeou, além de muitos danos ambientais, econômicos e morais, um processo complexo de mobilização social, disputa simbólica e construção institucional para a reparação desses danos. Neste contexto, este trabalho analisa como a criação do Memorial Brumadinho, uma das reivindicações do movimento social das famílias impactadas, expressa repertórios de ação coletiva, formas de interação entre Estado e sociedade e conflitos em torno da memória do desastre-crime, dimensões de análise debatidas pelos estudos de movimentos sociais e ação coletiva e suas interfaces estatais. A partir de uma abordagem qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas, análise documental e revisão teórica, o estudo narra a trajetória da Avabrum, associação dos atingidos, que mobilizou a construção do Memorial como demanda coletiva em defesa da memória das vidas perdidas. Os resultados evidenciam que a atuação conjunta do movimento com instituições estatais, marcada também pela defesa da demanda por agentes públicos, facilitou a construção de arranjos jurídico-administrativos que viabilizaram o projeto, enquanto estratégias de visibilidade pública fortaleceram a pressão sobre a mineradora, acelerando a sua concretização. O estudo evidencia ainda que a construção do memorial foi atravessada por disputas que envolveram a definição da narrativa e a configuração do espaço, materializadas em tensões sobre a expografia, a governança e o sentido atribuído ao memorial. Conclui-se que o Memorial Brumadinho resulta da mobilização da Avabrum, que transformou o luto em ação coletiva, ativou repertórios diversos, estabeleceu interações institucionais decisivas e disputou os sentidos públicos do desastre-crime ocorrido em 2019.
Abstract
The collapse of Vale S.A.'s tailings dam on January 25, 2019, in Brumadinho, Minas Gerais, resulted in 272 deaths and triggered, in addition to severe environmental, economic, and moral damage, a complex process of social mobilization, symbolic dispute, and institutional construction aimed at repairing these harms. In this context, this work analyzes how the creation of the Brumadinho Memorial, one of the demands of the social movement formed by the affected families, expresses repertoires of collective action, forms of interaction between the State and society, and conflicts surrounding the memory of the crime-disaster, analytical dimensions discussed in studies of social movements, collective action, and their interfaces with state institutions. Based on a qualitative approach, grounded in semi-structured interviews, documentary analysis, and theoretical review, the study narrates the trajectory of Avabrum, the association of those affected, which mobilized the construction of the Memorial as a collective demand in defense of the memory of the lives lost. The results show that the joint action of the movement with state institutions, also marked by the defense of the demand by public agents, facilitated the construction of legal and administrative arrangements that made the project viable, while strategies of public visibility strengthened pressure on the mining company and accelerated its implementation. The study also shows that the construction of the memorial was crossed by disputes involving the definition of the narrative and the configuration of the space, materialized in tensions over the exhibition design, governance, and the meaning attributed to the memorial. It is concluded that the Brumadinho Memorial results from Avabrum's mobilization, which transformed mourning into collective action, activated diverse repertoires, established decisive institutional interactions, and disputed the public meanings of the 2019 crime-disaster.
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Citação
MOREIRA, M. M. R. "O que a memória ama fica eterno": repertórios, disputas e construção do Memorial Brumadinho como espaço de memória e reparação simbólica. 125 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Administração Pública) – Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, Fundação João Pinheiro, 2025.
Notas
Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Administração Pública) – Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, Fundação João Pinheiro, 2025.