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Item Ocupações como novos atores coletivos : ressignificações e disputas pelo cotidiano urbano(Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2025) Leal, Luiz Felipe; Moreira, Mateus Máximo Rodrigues; Brasil, Flávia de Paula Duque; Carneiro, RicardoO artigo interroga o que há de novo nas Ocupações Urbanas que se constituíram nas duas últimas décadas em Belo Horizonte e eventualmente na região metropolitana (RMBH). Argumenta-se que as Ocupações Urbanas configuram novos atores coletivos cujo mote mais amplo de luta por moradia é pelo controle sobre melhores condições para o exercício da vida cotidiana. A partir da inter-relação com estratégias e atores precedentes é possível identificar as Ocupações Urbanas como novos atores coletivos porque operam uma radicalização do próprio cotidiano urbano da coletividade, destacando sua relação com outros atores sociais, apoiadores ou rivais do passado ou do presente. O trabalho ancora-se em contribuições na vertente dos novos movimentos sociais, fundamentalmente em Alberto Melucci (1980; 1989; 1996; 2003) para apreender os processos de constituição de atores coletivos contemporâneos, de suas identidades e formas de ação. A metodologia apoia-se fundamentalmente em revisão bibliográfica por conveniência e levantamentos documentais.Item "O que a memória ama fica eterno": repertórios, disputas e construção do Memorial Brumadinho como espaço de memória e reparação simbólica(2025) Moreira, Mateus Máximo Rodrigues; Assis, Marcos Arcanjo deO rompimento da barragem da Vale S.A., em 25 de janeiro de 2019, em Brumadinho, Minas Gerais, resultou em 272 mortes e desencadeou, além de muitos danos ambientais, econômicos e morais, um processo complexo de mobilização social, disputa simbólica e construção institucional para a reparação desses danos. Neste contexto, este trabalho analisa como a criação do Memorial Brumadinho, uma das reivindicações do movimento social das famílias impactadas, expressa repertórios de ação coletiva, formas de interação entre Estado e sociedade e conflitos em torno da memória do desastre-crime, dimensões de análise debatidas pelos estudos de movimentos sociais e ação coletiva e suas interfaces estatais. A partir de uma abordagem qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas, análise documental e revisão teórica, o estudo narra a trajetória da Avabrum, associação dos atingidos, que mobilizou a construção do Memorial como demanda coletiva em defesa da memória das vidas perdidas. Os resultados evidenciam que a atuação conjunta do movimento com instituições estatais, marcada também pela defesa da demanda por agentes públicos, facilitou a construção de arranjos jurídico-administrativos que viabilizaram o projeto, enquanto estratégias de visibilidade pública fortaleceram a pressão sobre a mineradora, acelerando a sua concretização. O estudo evidencia ainda que a construção do memorial foi atravessada por disputas que envolveram a definição da narrativa e a configuração do espaço, materializadas em tensões sobre a expografia, a governança e o sentido atribuído ao memorial. Conclui-se que o Memorial Brumadinho resulta da mobilização da Avabrum, que transformou o luto em ação coletiva, ativou repertórios diversos, estabeleceu interações institucionais decisivas e disputou os sentidos públicos do desastre-crime ocorrido em 2019.