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    O trabalho da polĆ­cia investigativa face aos homicĆ­dios de jovens em Belo Horizonte
    (2013) Nascimento, LuĆ­s Felipe Zilli do; Vargas, Joana Domingues
    Ao longo dos últimos 30 anos, o Brasil vem experimentando um aumento exponencial de suas taxas de homicídio, problema este impulsionado pelo morticínio de jovens do sexo masculino, não brancos, pobres, moradores de vilas e favelas. Diante do recrudescimento e da complexificação do fenÓmeno dos homicídios no Brasil, o presente artigo tem como objetivo discutir alguns dos principais efeitos que estas tendências projetam sobre o trabalho policial investigativo. Para tanto, realizou-se, entre os anos de 2009 e 2010, um longo trabalho de pesquisa etnogrÔfica em seis Delegacias Especializadas de Homicídios da cidade de Belo Horizonte. Durante este período, pesquisadores vivenciaram a rotina diÔria destas unidades e realizaram diversas de entrevistas em profundidade com investigadores e delegados da Polícia Civil. Dentre os resultados destaca-se o descompasso entre a crescente complexidade do fenÓmeno criminal e as prÔticas e os procedimentos legais previstos para a investigação dos homicídios em BH.
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    Entre campanas, cartórios e clones: como a polícia investiga furtos e roubos de veículos
    (Fundação Getúlio Vargas, 2025) Salles, Matheus Cobucci; Nascimento, Luís Felipe Zilli do; Batitucci, Eduardo Cerqueira; Sapori, Luís FlÔvio
    Cerca de mil veĆ­culos automotores sĆ£o furtados ou roubados no Brasil diariamente. Essa dinĆ¢mica criminal movimenta uma complexa cadeia global de valores e envolve desde mercados formais multibilionĆ”rios, como os das montadoras de veĆ­culos e seguradoras patrimoniais, atĆ© redes comerciais clandestinas, como os desmanches de automóveis para revenda de autopeƧas usadas. Diante da complexidade do fenĆ“meno, diversos estudos vĆŖm investigando a estruturação das redes responsĆ”veis por esses crimes no paĆ­s. Entretanto, ainda sĆ£o escassas as pesquisas que analisam como o poder pĆŗblico, mais especificamente as organizaƧƵes policiais, tĆŖm atuado no enfrentamento dessa problemĆ”tica. Com o objetivo de contribuir para esse debate, este artigo apresenta uma anĆ”lise empĆ­rica do ā€œfazer investigativoā€ adotado pela PolĆ­cia Civil de Minas Gerais na apuração dos furtos e roubos de veĆ­culos no estado. A partir de dois estudos de caso de inquĆ©ritos conduzidos pela corporação, foi possĆ­vel compreender como se desenvolvem, no cotidiano das delegacias, as investigaƧƵes sobre organizaƧƵes criminosas e redes de ilegalismos relacionadas a desmanches clandestinos, clonagem de veĆ­culos e comercialização de autopeƧas. Observou-se, ainda, de que maneira tais prĆ”ticas contornam, tensionam e, nĆ£o raramente, rompem os limites normativos impostos ao trabalho investigativo, seja por códigos legais, seja por dispositivos institucionais que regulam a atuação policial no Brasil.