Entre campanas, cartórios e clones: como a polícia investiga furtos e roubos de veículos
Data da publicação
2025
Orientador(es)
Coordenador(es)
Colaborador(es)
Organizador(es)
Evento
Entrevistador(a)
Entrevistado(a)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Fundação Getúlio Vargas
Resumo
Cerca de mil veículos automotores são furtados ou roubados no Brasil diariamente. Essa dinâmica criminal movimenta uma complexa cadeia global de valores e envolve desde mercados formais multibilionários, como os das montadoras de veículos e seguradoras patrimoniais, até redes comerciais clandestinas, como os desmanches de automóveis para revenda de autopeças usadas. Diante da complexidade do fenômeno, diversos estudos vêm investigando a estruturação das redes responsáveis por esses crimes no país. Entretanto, ainda são escassas as pesquisas que analisam como o poder público, mais especificamente as organizações policiais, têm atuado no enfrentamento dessa problemática. Com o objetivo de contribuir para esse debate, este artigo apresenta uma análise empírica do “fazer investigativo” adotado pela Polícia Civil de Minas Gerais na apuração dos furtos e roubos de veículos no estado. A partir de dois estudos de caso de inquéritos conduzidos pela corporação, foi possível compreender como se desenvolvem, no cotidiano das delegacias, as investigações sobre organizações criminosas e redes de ilegalismos relacionadas a desmanches clandestinos, clonagem de veículos e comercialização de autopeças. Observou-se, ainda, de que maneira tais práticas contornam, tensionam e, não raramente, rompem os limites normativos impostos ao trabalho investigativo, seja por códigos legais, seja por dispositivos institucionais que regulam a atuação policial no Brasil.
Abstract
Approximately one thousand motor vehicles are stolen or robbed in Brazil every day. This criminal activity drives a complex global value chain, encompassing both multibillion-dollar formal markets, such as vehicle manufacturers and insurance companies, and clandestine commercial networks, including illegal auto dismantling operations for the resale of used parts. Given the complexity of this phenomenon, various studies have investigated how criminal networks involved in vehicle thefts and robberies are structured in the country. However, there is still limited research on how public authorities, specifically police organizations, are addressing this issue. Aiming to contribute to the debate, this article presents an empirical analysis of the investigative practices employed by the Civil Police of Minas Gerais in solving vehicle thefts and robberies in the state. Based on two case studies of inquiries conducted by the police, the research provides insights into how investigations into criminal groups and illegal networks related to clandestine dismantling, vehicle cloning, and parts resale are carried out in the daily operations of police stations. The study also reveals how these practices circumvent, challenge, and often break the normative boundaries imposed on investigative work by legal codes and institutional regulations governing police activities in Brazil.
Palavras-chave
Palavras-chave
Citação
SALLES, M. C. et al.. Entre campanas, cartórios e clones: como a polícia investiga furtos e roubos de veículos. Revista Direito GV, v. 21, p. e2520, 2025.
Relacionado com
Contido em
Revista Direito GV, v. 21, 2025