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    Entre o planejamento e a terra : um estudo sobre o Plano de Habitação de Interesse Social da RMBH na Ocupação Terra Nossa
    (2025) Toledo, Ana Cecília Medeiros; Motta, Carolina Portugal Gonçalves da
    A presente pesquisa analisa criticamente o Plano Metropolitano de Habitação de Interesse Social (PMHIS) da RegiĂŁo Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), buscando compreender em que medida suas diretrizes contemplam as necessidades habitacionais de moradores de NĂșcleos Urbanos Informais (NUI), tomando como estudo de caso a Ocupação Terra Nossa. A partir de uma abordagem qualitativa e descritiva, fundamentada em anĂĄlise documental, entrevistas semiestruturadas e observação de campo, o estudo articula as dimensĂ”es institucionais e territoriais do planejamento habitacional metropolitano. O referencial teĂłrico ancora-se nos debates sobre a formação das regiĂ”es metropolitanas brasileiras e da regiĂŁo metropolitana de Belo Horizonte, sobre planejamento urbano, sobre moradia digna, sobre necessidades habitacionais e sobre governança interfederativa. Os resultados apontam que o PMHIS constitui um avanço tĂ©cnico e metodolĂłgico no campo das polĂ­ticas pĂșblicas metropolitanas, especialmente pela abrangĂȘncia do diagnĂłstico habitacional e pela incorporação de metodologias inovadoras de mensuração do dĂ©ficit e da inadequação habitacional. Contudo, identificam-se limitaçÔes significativas em sua elaboração, que devem impactar em sua implementação e sĂŁo decorrentes da fragmentação institucional, da dificuldade de capilaridade no territĂłrio, da frĂĄgil cooperação interfederativa e da ausĂȘncia de instrumentos financeiros que viabilizem suas propostas. As evidĂȘncias empĂ­ricas mostram que a participação social no Plano tambĂ©m Ă© limitada, nĂŁo tendo sido observada nenhuma participação dos moradores da ocupação em estudo. AlĂ©m disso, verificou-se que a moradia digna, para os moradores da Terra Nossa, Ă© resultado de lutas cotidianas e prĂĄticas coletivas de resistĂȘncia, expressando um direito construĂ­do na vivĂȘncia, e nĂŁo garantido pelo Estado. Assim, o trabalho reafirma a necessidade de reorientar o planejamento metropolitano a partir da escuta dos sujeitos e da valorização das prĂĄticas populares de produção da cidade.