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    O nascimento de um indicador : o Índice de Qualidade de Vida Urbana de Belo Horizonte
    (2025) Oliveira, Diogo Jorge; Andrade, Rafael Lara Mazoni
    Este trabalho analisa a gĂȘnese e a estruturação do Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) de Belo Horizonte, concebido na dĂ©cada de 1990 no contexto da administração progressista por meio da “Frente BH Popular”. Adotando principalmente uma abordagem metodolĂłgica externalista, fundamentada na sociologia da quantificação de Alain DesrosiĂšres e na analĂ­tica de poder de Michel Foucault, a pesquisa investiga as condiçÔes histĂłricas e polĂ­ticas que possibilitaram a emergĂȘncia desta ferramenta tĂ©cnico-polĂ­tica. Argumenta-se que o IQVU nĂŁo surgiu apenas de uma necessidade tĂ©cnica, mas de um esforço polĂ­tico de convenção (convenir) prĂ©vio Ă  mensuração (mesurer), visando legitimar a "inversĂŁo de prioridades" no Ăąmbito do Orçamento Participativo (OP). O estudo reconstitui a trajetĂłria de segregação socioespacial da capital, examina a influĂȘncia do modelo de OP de Porto Alegre e detalha como a parceria entre a Prefeitura e a PUC Minas operou a tradução de disputas polĂ­ticas em categorias estatĂ­sticas estĂĄveis. A anĂĄlise elucida a arquitetura do Ă­ndice, demonstrando como a definição de variĂĄveis, a ponderação de pesos e a medida de acessibilidade constituĂ­ram um complexo processo de convenir, na qual escolhas tĂ©cnicas cristalizaram visĂ”es sobre a justiça urbana. Conclui-se que o IQVU funcionou como uma tecnologia de governo que, ao converter demandas sociais qualitativas em linguagem quantitativa objetiva, mediou as tensĂ”es entre a racionalidade administrativa e as reivindicaçÔes populares.