O nascimento de um indicador : o Índice de Qualidade de Vida Urbana de Belo Horizonte
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2025
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Resumo
Este trabalho analisa a gênese e a estruturação do Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) de Belo Horizonte, concebido na década de 1990 no contexto da administração progressista por meio da “Frente BH Popular”. Adotando principalmente uma abordagem metodológica externalista, fundamentada na sociologia da quantificação de Alain Desrosières e na analítica de poder de Michel Foucault, a pesquisa investiga as condições históricas e políticas que possibilitaram a emergência desta ferramenta técnico-política. Argumenta-se que o IQVU não surgiu apenas de uma necessidade técnica, mas de um esforço político de convenção (convenir) prévio à mensuração (mesurer), visando legitimar a "inversão de prioridades" no âmbito do Orçamento Participativo (OP). O estudo reconstitui a trajetória de segregação socioespacial da capital, examina a influência do modelo de OP de Porto Alegre e detalha como a parceria entre a Prefeitura e a PUC Minas operou a tradução de disputas políticas em categorias estatísticas estáveis. A análise elucida a arquitetura do índice, demonstrando como a definição de variáveis, a ponderação de pesos e a medida de acessibilidade constituíram um complexo processo de convenir, na qual escolhas técnicas cristalizaram visões sobre a justiça urbana. Conclui-se que o IQVU funcionou como uma tecnologia de governo que, ao converter demandas sociais qualitativas em linguagem quantitativa objetiva, mediou as tensões entre a racionalidade administrativa e as reivindicações populares.
Abstract
This paper analyzes the genesis and structuration of the Urban Quality of Life Index (IQVU) in Belo Horizonte, conceived in the 1990s within the context of the progressive administration led by the "Frente BH Popular". Adopting primarily an externalist methodological approach, grounded in Alain Desrosières’ sociology of quantification and Michel Foucault’s analytics of power, the research investigates the historical and political conditions that enabled the emergence of this technical-political tool. It is argued that the IQVU did not arise solely from a technical necessity, but from a political effort of convention (convenir) prior to measurement (mesurer), aiming to legitimize the "inversion of priorities" within the framework of Participatory Budgeting (PB). The study reconstructs the capital's trajectory of socio-spatial segregation, examines the influence of the Porto Alegre PB model, and details how the partnership between the City Hall and PUC Minas operated the translation of political disputes into stable statistical categories. The analysis elucidates the index's architecture, demonstrating how the definition of variables, the weighting of factors, and the measurement of accessibility constituted a complex process of convention, in which technical choices crystallized visions of urban justice. It is concluded that the IQVU functioned as a technology of government that, by converting qualitative social demands into objective quantitative language, mediated the tensions between administrative rationality and popular claims.
Palavras-chave
Palavras-chave
Indicadores sociais, Políticas públicas, Orçamento participativo, Sociologia da quantificação, Planejamento urbano, Belo Horizonte
Citação
OLIVEIRA, D. J. O nascimento de um indicador: o Índice de Qualidade de Vida Urbana de Belo Horizonte. 167 f. Trabalho de conclusão de Curso (Bacharel em Administração Pública) – Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, Fundação João Pinheiro, 2025.
Notas
Trabalho de conclusão de Curso (Bacharel em Administração Pública) – Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, Fundação João Pinheiro, 2025.