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Item Segurança viária em Minas Gerais: uma análise têmporo-espacial das condições viárias, acidentes de trânsito e impactos do Programa Provias(2024) Vaz, Thiago Barbosa; Andrade, Rafael Lara MazoniEste trabalho investiga o impacto das recuperações funcionais realizadas pelo programa PROVIAS sobre a segurança viária em Minas Gerais, utilizando Índice de Acidentes por Milhão de Veículos no trecho (IAMVt ) do Sistema Rodoviário Estadual (SRE). A pesquisa abrange o período de 2019 a 2023 e analisa dados de tráfego e acidentes georreferenciados, associando-os a trechos específicos do Sistema Rodoviário Estadual (SRE). Os resultados indicam que as intervenções estruturais, embora essenciais para melhorar as condições de tráfego, não foram suficientes para reduzir significativamente os índices de acidentes. O estudo destaca o papel preponderante do fator humano na ocorrência de acidentes, sugerindo a necessidade de políticas integradas que combinem para além das melhorias na infraestrutura estratégias voltadas ao comportamento dos condutores, como a fiscalização. Entre as contribuições, destaca-se o desenvolvimento de uma metodologia capaz de associar os acidentes de trânsito aos trechos do SRE, e principalmente, a criação e aplicação do IAMVt, um indicador inovador que possibilita análises mais detalhadas da segurança viária de cada trecho do SRE. Além disso, a integração de dados públicos e privados, como os fornecidos pelo Waze, mostrou-se um diferencial importante para o monitoramento e formulação de políticas públicas baseadas em evidências. Por fim, o trabalho aponta para futuras pesquisas que expandam a análise para um maior número de trechos e períodos, bem como o aprofundamento da utilização de dados de parceiros estratégicos.Item O nascimento de um indicador : o Índice de Qualidade de Vida Urbana de Belo Horizonte(2025) Oliveira, Diogo Jorge; Andrade, Rafael Lara MazoniEste trabalho analisa a gênese e a estruturação do Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) de Belo Horizonte, concebido na década de 1990 no contexto da administração progressista por meio da “Frente BH Popular”. Adotando principalmente uma abordagem metodológica externalista, fundamentada na sociologia da quantificação de Alain Desrosières e na analítica de poder de Michel Foucault, a pesquisa investiga as condições históricas e políticas que possibilitaram a emergência desta ferramenta técnico-política. Argumenta-se que o IQVU não surgiu apenas de uma necessidade técnica, mas de um esforço político de convenção (convenir) prévio à mensuração (mesurer), visando legitimar a "inversão de prioridades" no âmbito do Orçamento Participativo (OP). O estudo reconstitui a trajetória de segregação socioespacial da capital, examina a influência do modelo de OP de Porto Alegre e detalha como a parceria entre a Prefeitura e a PUC Minas operou a tradução de disputas políticas em categorias estatísticas estáveis. A análise elucida a arquitetura do índice, demonstrando como a definição de variáveis, a ponderação de pesos e a medida de acessibilidade constituíram um complexo processo de convenir, na qual escolhas técnicas cristalizaram visões sobre a justiça urbana. Conclui-se que o IQVU funcionou como uma tecnologia de governo que, ao converter demandas sociais qualitativas em linguagem quantitativa objetiva, mediou as tensões entre a racionalidade administrativa e as reivindicações populares.