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Item Sob os olhos das mulheres: gênero e o planejamento urbano no hipercentro de Belo Horizonte(2024) Mattos, Anna Clara Ferreira; Brasil, Flávia de Paula DuqueO hipercentro de Belo Horizonte é palco de apropriações, intervenções e transformações desde a fundação da cidade no final do século XIX. Passando por momentos de adensamento do trânsito de pessoas e do comércio na primeira metade do século XX até um esvaziamento e deterioração na segunda metade, a importância da região no cenário municipal permanece até o período atual. No âmbito do planejamento urbano, foram realizadas diversas intervenções no sentido de revitalização deste espaço nas últimas décadas, sendo que o foco deste trabalho recais sobre a mais recente, o Programa de Requalificação do Centro de Belo HorizonteItem O nascimento de um indicador : o Índice de Qualidade de Vida Urbana de Belo Horizonte(2025) Oliveira, Diogo Jorge; Andrade, Rafael Lara MazoniEste trabalho analisa a gênese e a estruturação do Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) de Belo Horizonte, concebido na década de 1990 no contexto da administração progressista por meio da “Frente BH Popular”. Adotando principalmente uma abordagem metodológica externalista, fundamentada na sociologia da quantificação de Alain Desrosières e na analítica de poder de Michel Foucault, a pesquisa investiga as condições históricas e políticas que possibilitaram a emergência desta ferramenta técnico-política. Argumenta-se que o IQVU não surgiu apenas de uma necessidade técnica, mas de um esforço político de convenção (convenir) prévio à mensuração (mesurer), visando legitimar a "inversão de prioridades" no âmbito do Orçamento Participativo (OP). O estudo reconstitui a trajetória de segregação socioespacial da capital, examina a influência do modelo de OP de Porto Alegre e detalha como a parceria entre a Prefeitura e a PUC Minas operou a tradução de disputas políticas em categorias estatísticas estáveis. A análise elucida a arquitetura do índice, demonstrando como a definição de variáveis, a ponderação de pesos e a medida de acessibilidade constituíram um complexo processo de convenir, na qual escolhas técnicas cristalizaram visões sobre a justiça urbana. Conclui-se que o IQVU funcionou como uma tecnologia de governo que, ao converter demandas sociais qualitativas em linguagem quantitativa objetiva, mediou as tensões entre a racionalidade administrativa e as reivindicações populares.